você parece comigo
nenhum senhor te acompanha
você também se dá um beijo, dá abrigo
se dá um riso, dá um tiro.

fim.
você parece comigo
nenhum senhor te acompanha
você também se dá um beijo, dá abrigo
se dá um riso, dá um tiro.

fim.
viver nem é preciso.
é preciso empurrar um rio com as mãos
criando ondas de pensamentos tortos.
tocar valsa com vigor de sambista
e dançar sobre as águas ébria de som.
criar poemas em que o nada se revele absoluto.
as palavras marchem sobre o papel e
brilhem como estrelas mortas.
é preciso que os pés enfim
consigam caminhar sobre brasa,
e que a dor seja o instrumento
da tranqüilidade.
não mais sofrer, não chorar
nem cometer suicídio.
viver nem é preciso e navegar é secundário.
o que é preciso mesmo é encarar a morte
como um inventário:
precisa como uma
navalha amolada
para Chris Mccandless (:
deixa eu te contar um negócio: tem coisas que não podem passar impunes, sem um sorriso. tem coisas que são muito engraçadas e eu adoro rir. eu gosto de comédia pastelão, eu gosto de música ruim, eu gosto de galhofa.
malvada! rindo dos outros!
eu sou uma criatura passional disfarçada de cara-de-nada
eu sou uma impulsiva compulsiva com cara de sensata
eu sou cheia de explosão e me disfarço de implosão
essa é uma declaração de amor jamais pronunciada. guarda a força dos pedidos silenciosos, leva a surpresa de um destino há muito conhecido. surpreende aquele momento já esperado há tanto com a calma dos que querem a verdade, tudo que queima internamente, em segredo.
é de dentro e é de fogo a história dos filhos que têm de nascer. a costura das coisas, com linha de ouro.
estava olhando e fingi que não vi. estava tímida porque muito perto. e como o texto das músicas só se entende com o coração, o texto das palavras escritas sem ordem é igual. e para guardar o silêncio desse amor que lhe digo com tanta vontade, mando uma garrafa boiando pelo oceano, quem sabe um dia chegue num momento oportuno o impacto dessas coisas, ver, de ter, de ser. por você.
Achei isso, no meio do passado!
“Tenho o prazer de me danar e me recompor sozinha. Não preciso de muletas”
“Para quem está vivo, viver é um risco”.
“No entanto, eu acredito em mim muito menos do que você está pensando”.
matar, e com facas
fazer o trabalho de perto
mostrar o resultado
atacar, mudar, viagem
correr, e todas as palavras de atitude.
tudo pelo enorme prazer de tornar-se novo,
conhecer o que não era sabido,
meter-se a besta com o destino.
[changez-tout, changez-moi]
as dores são tantas e tão grandes
que a gente tem que passar por dentro delas.
dentro de cada pedaço,
pra conhecê-las por inteiro
e assim poder matá-las.
só quem conhece a gente por inteiro pode nos matar.
você, pronome de tratamento,
palavra bonita no dicionário.
vocativo, faz trazer para perto alguém querido.
chama a atenção, diz a que veio.
você, aqui.
a palavra você traz o olhar,
caminha para dentro,
comunica a quem interessar possa.
no você reside o prazer do nome próprio
implícito na idéia do tu, o outro.
interno no chamar, o gosto pelo estar ouvindo.
inteiro no olhar, você, quando o convido.